Wednesday, February 27, 2008

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Rock 'n' Roll, a última peça de Tom Stoppard, que vi ontem aqui na Broadway, é um triunfo da razão e da emoção, juntas. Afinal, nós somos razão + emoção e uma não vive sem a outra. 
E o que faz as duas se juntarem triunfalmente? A paixão.

Tom Stoppard

A trama é complexa e difícil de resumir. Se passa em Praga e Cambridge (a inglesa) de 1968 a 1990. 
Stoppard é tcheco e os pais, judeus, se refugiaram no então império britânico. 

Rufus Sewell como Jan com seus discos de Rock

No personagem tcheco, Jan, Stoppard projeta o que ele poderia ter sido se tivesse voltado a Praga em vez de virar inglês. A paixão de Jan: Rock 'n' Roll, especialmente Pink Floyd.
Jan vai a Cambridge em 68 a convite do filósofo marxista Max Morrow. A paixão de Max: Marx.
A mulher de Max, Eleanor, é professora de grego clássico. A paixão de Eleanor:  Safo, a poeta do amor.
A filha de Max e Eleanor, Esmé, é uma hippie que nunca saiu dos 60. A paixão de Esmé, e da filha dela, Alice:  Syd Barrett, um dos fundadores do Pink Floyd.

Sinead Cusack como Esmé e a filha Alice (Alice Eve)

A estrutura da peça é simples: cenas mais ou menos desconexas, instantâneos da vida desses personagens, costuradas por trechos de clássicos do Rock dos anos 60 e 70. Termina com o show dos Rolling Stones em Praga, em 1990. 

Syd Barrett


Syd Barrett deixou o Pink Floyd depois do segundo disco, destruído pelo LSD. Pirou e viveu isolado em Cambridge. Morreu em 2006, quando Rock 'n' Roll tinha acabado de estrear em Londres.
Syd Barrett é a encarnação do deus Pã. É o fio que amarra todas as histórias que se cruzam.  Barrett e Pã morrem, mas a peça termina com a imagem de um novo Pã, Mick Jagger.

Sinead Cusack como Esmé e Brian Cox

O que os quatro personagens principais têm em comum, além da paixão, ou por causa da paixão, é a integridade. São fiéis a si mesmos, apesar das muitas pequenas traições e desconsolos da vida.
Jan é especialmente comovente, na interpretação maravilhosa do ator inglês Rufus Sewell. É raro ver um personagem ser criado com tanta complexidade, inclusive fisicamente, com tiques e expressões únicas. O crítico Ben Brantley do New York Times observou bem: no final da peça,  Jan é um palimpsesto. Você vê sobrepostas todas as camadas da vida dele.
Brian Cox cria o marxista Max sem caricatura, embora o personagem se preste a ser caricaturado. Ele é o último comunista da Inglaterra, depois que todos os intelectuais deixaram o partido. Max lembra muitos comunistas que passaram pela nossa vida e que tinham essa marca: a integridade.

Sinead Cusack como Eleanor e Brian Cox

Mas o centro emocional da peça está nos dois personagens criados pela atriz irlandesa Sinead Cusack, a mulher do ator Jeremy Irons. Eu nunca a vi antes no palco, só em filmes, e fiquei de quatro. Ela é Eleanor e, no segundo ato, a filha Esmé.
Na cena central da peça, Eleanor, que está morrendo de câncer, se desespera porque sente que perdeu a paixão do marido, Max, desde que o corpo dela foi mutilado. Max diz que continua amando a mente dela. Mas Eleanor protesta: "Eu não sou só o meu corpo, mas sou também o meu corpo. Mente, não!" Ela denuncia a covardia intelectual de Max, que como materialista não aceita a separação corpo-mente, mas diante da mutilação da mulher se refugia no dualismo.

O diálogo é o tempo todo altamente intelectualizado (difícil de acompanhar) e intensamente emocional. É a primeira peça em que Stoppard, famoso pelo intelecto, se entrega à emoção.

Sinead Cusack

Esmé, a hippie parada no tempo, se redime no reencontro com Jan. Em 68, com 16 anos, ela tinha oferecido a Jan a virgindade, na última noite dele em Cambridge antes de voltar a Praga. Mas ele, em vez da virgindade de Esmé, leva um disco de Pink Floyd.
Jan, de volta a Praga, vive em torno da sua coleção de discos de Rock, que acaba sendo destruída pela polícia do regime comunista. Os roqueiros de Praga estão na vanguarda da oposição ao regime. No final, Esmé e Jan vão viver juntos em Praga, e a peça termina com os dois no concerto dos Stones, depois da queda do comunismo.

Metade do público foi embora no intervalo. Mas a metade que ficou teve uma experiência intensa de razão, emoção e paixão.

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Thursday, February 21, 2008

Alfred Brendel

Fui à despedida de Alfred Brendel do Carnegie Hall. Não posso acreditar que não vou mais vê-lo, pelo menos não nessa sala onde ele se apresenta todo ano.

Chorei de felicidade e gratidão ao ouvi-lo tocar o Impromptu n. 90, #3 de Schubert (ver post abaixo para um video de Brendel tocando essa peça). 
Há 30 anos as gravações de Brendel marcam a minha vida. 
Vê-lo tocar é surpreendente. Brendel vai para um mundo só dele, onde ele se entrega inteiramente à música. Parece que o duende (ver post abaixo) toma conta dele. Eu estava sentado bem perto então pude ver detalhes. O rosto se desmancha em tics, a boca treme e faz bico, sorri e cantarola, as sobrancelhas fazem uma dança à parte, os óculos de fundo de garrafa sacodem, as bochechas parecem geléia. Contado assim parece cômico. Mas essas expressões são o inconsciente, a alma do artista vindo à tona, transbordando, junto com a emoção que ele transmite ao tocar. Brendel reúne uma técnica perfeita, cristalina, a clareza na execução de estruturas extremamente complexas, a uma poderosa verdade emocional. Parece que a música está sendo criada neste exato momento, como se ele tocasse e o mundo ouvisse a obra pela primeira vez. Um frescor absoluto. Então esse rosto que pelos padrões convencionais seria considerado bem feio ou até ridículo, essas caretas desconcertantes, se transmutam junto com a música num momento de beleza sublime. Estamos diante da Arte - e do Duende.

Ele tocou (video abaixo) a maravilhosa sonata em Si Bemol de Schubert, para mim a mais bela de todas as sonatas para piano. Como o video está incompleto postei a íntegra do primeiro movimento.

Schubert, Sonata n. 21 em Si Bemol, Alfred Brendel


Brendel tem 77 anos, é austríaco, nasceu na Tchecoeslováquia, vive em Londres e é pianista há 60 anos. É autodidata. Ele diz que preferiu descobrir sozinho como tocar o repertório clássico. Gravou toda a obra para piano de Mozart, Beethoven e Schubert. É provavelmente o maior pianista vivo. Não há artista que eu adore mais do que Alfred Brendel. A última apresentação dele vai ser em dezembro deste ano em Viena, quando ele vai tocar meu concerto preferido de Mozart, o n. 9.

Mozart, Concerto para piano e orquestra n. 9, Rondo, Alfred Brendel

Uma das maiores qualidades de Brendel é que ele não se leva a sério, não faz pose. Tem uma atitude humorística diante da vida.
Poeta com muitos livros publicados (é também pintor), a poesia dele é subversiva e surrealista. Escreve em alemão. Traduzi os poemas abaixo de uma tradução para o inglês.

1.
Somos o galo e a galinha
Somos também os franguinhos

E o ovo
Quem é o ovo
SOMOS O OVO
a gema e a clara

Ademais
somos a raposa
que come as galinhas

Céus somos tudo

2.
Quando Mozart foi assassinado
ninguém
nem mesmo Haydn
teria imaginado
que foi Beethoven
quem cometeu o pérfido ato
Durante um passeio
enquanto Mozart
cansado de pular carniça
descansava na grama
Beethoven
disfarçado de Salieri
se aproximou
furtivo como um gato
e derramou veneno
no ouvido incomparável de Mozart.

Neste ponto
é preciso mencionar
que havia
na vida de Beethoven
um segredo bem guardado
Beethoven era NEGRO
e Mozart DESCOBRIU
Depois de um dos maravilhosos improvisos de Beethoven
Mozart
sussurrou para Süssmayr
Nada mal para um negão
Agora ele está caído
com veneno correndo nas veias
Rindo soturno
o culpado escapuliu
em plena posse da clave de Dó menor
a qual
de agora em diante
seria dele

3.
No além
podemos compensar
o que nos faltou na vida
Beethoven por exemplo
pode se realizar como padeiro
jogando a massa no forno com a fúria habitual
A semelhança entre suas sonatas e os pretzels
foi notada primeiro por Tovey
mas foi o ouvido aguçado de Schenker
que comparou as últimas bagatelas
a bolos de semente de papoula
A mais recente composição do falecido mestre
seus "Bagels Xingadores"
xingam
quando você mergulha os dentes neles.

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Sunday, February 17, 2008

Eva Yerbabuena

Fui ver a malaguenha Eva Yerbabuena no festival de flamenco que passou por aqui vindo de Londres, patrocinado pelo governo de Andalucia. Me fez lembrar o texto maravilhoso de Lorca, Teoria e Jogo do Duende,  "uma singela aula sobre o espírito oculto da dolorida Espanha". Seguem alguns trechos.
Federico Garcia Lorca

TEORIA E JOGO DO DUENDE
Federico Garcia Lorca

Manuel Torres, o homem de maior cultura no sangue que conheci, disse, escutando o próprio Falla em seu Noturno do Generalife, esta esplendida frase: "Tudo o que tem sons negros tem duende". E não há verdade maior.
Estes sons negros são o mistério, as raízes que se cravam no limo que todos conhecemos, que todos ignoramos, mas de onde nos chega o que é substancial na arte.
Assim, pois, o duende é um poder e não um obrar, é um lutar e não um pensar. Ouvi dizer um velho mestre guitarrista: "O duende não está na garganta; o duende sobe por dentro desde a planta dos pés". Quer dizer, não é questão de faculdade, sim de verdadeiro estilo vivo; é dizer, de sangue; é dizer, de velhíssima cultura, de criação no ato.
É, em suma, o espírito da terra.
Todo homem, todo artista, cada degrau que sobe na torre de sua perfeição é à custa da luta que sustenta com seu duende, não com um anjo, nem com sua musa.
Anjo e musa vêm de fora. Ao duende há que despertá-lo nas últimas habitações do sangue.
A verdadeira luta é com o duende.
Os grandes artistas do sul da Espanha, ciganos ou flamencos, já cantem, já bailem, já toquem, sabem que não é possível nenhuma emoção sem a chegada do duende.
A chegada do duende pressupõe sempre uma mudança radical em todas as formas, dá sensações de frescura totalmente inéditas, com uma qualidade de rosa recém criada, de milagre, que chega a provocar um entusiasmo quase religioso. Em todos os cantos do sul da Espanha a aparição do duende é seguida por sinceros gritos de "Viva Deus!", profundo, humano, terno grito de uma comunicação com Deus por meio dos cinco sentidos, graças ao duende que agita a voz e o corpo da bailarina, evasão real e poética deste mundo.
Todas as artes são capazes de duende, mas onde encontra mais campo, como é natural, é na música, na dança e na poesia falada, já que estas necessitam de um corpo vivo que interprete, porque são formas que nascem e morrem de modo perpétuo e elevam seus contornos sobre um presente exato.
Espanha está em todos os tempos movida pelo duende, como país de música e dança milenares, onde o duende espreme limões de madrugada, e como país de morte, como país aberto à morte.
Em todos os países a morte é um fim. Chega e se fecham as cortinas. Em Espanha, não. Em Espanha se levantam. Um morto em Espanha está mais vivo como morto que em qualquer lugar do mundo: seu perfil fere como o fio de uma navalha.
A faca e a roda do carro, e a navalha e as barbas dos pastores, e a lua pelada, e a mosca, e as despensas úmidas, e os entulhos, e os santos cobertos de renda, e a cal, e a linha cortante de beirais e varandas têm em Espanha diminutas ervas de morte, alusões e vozes perceptíveis para um espírito alerta, que nos chama a memória com o ar teso de nosso próprio trânsito.
O duende não chega se não vê possibilidade de morte.
Com idéia, com som e com gesto, o duende gosta dos bordos do poço em franca luta com o criador. Anjo e musa escapam com violino e compasso, e o duende fere, e na cura desta ferida que não fecha nunca está o insólito, o inventado da obra de um homem.
A virtude mágica do poema consiste em estar sempre enduendado para batizar com água escura a todos os que o olhem, porque com duende é mais fácil amar, compreender, e é seguro ser amado, ser compreendido, e esta luta pela expressão e pela comunicação da expressão adquire às vezes, em poesia, caráter mortal.
Em Espanha (como nos povos do Oriente, onde a dança é expressão religiosa) tem o duende um campo sem limites sobre os corpos das bailarinas de Cadiz, sobre os peitos dos que cantam, e em toda a liturgia dos touros, autêntico drama religioso onde, da mesma maneira que na missa, se adora e se sacrifica a um Deus.
Nem no baile espanhol nem nos touros ninguém se diverte; o duende se encarrega de fazer sofrer por meio do drama, sobre formas vivas, e prepara as escadas para uma evasão da realidade que circunda.
O duende opera sobre o corpo da bailarina como o ar sobre a areia. Converte com magico poder uma menina em paralítica da lua, ou enche de rubores adolescentes um velho roto que pede esmola nas lojas de vinho, dá a uma cabeleira cheiro de porto noturno, e em todo momento opera sobre os braços com expressões que são mães da dança de todos os tempos.
Sons negros detrás dos quais estão em terna intimidade os vulcões, as formigas, os zéfiros e a grande noite apertando-se a cintura com a via láctea.
O duende... Onde está o duende? Pelo arco vazio entra um ar mental que sopra com intensidade sobre as cabeças dos mortos, em busca de novas paisagens e sotaques ignorados; um ar com odor de saliva de menino, de erva pisada e véu de medusa que anuncia o constante batismo das coisas recém criadas.


Video de Eva Yerbabuena em Madri, 2007.


Trecho do filme Flamenco de Carlos Saura

Friday, February 15, 2008




Pra mim como para muita gente Roberto Bolle é o maior astro do ballet em atividade. Ele foi descoberto por Rudolf Nureyev, e tem 32 anos. Além de brilhar no palco do Teatro Alla Scala de Milao, com o Royal Ballet ou como convidado em outras companhias, ele é embaixador da Unicef há anos, muito ativo na campanha para salvar as crianças em Darfur, Sudão.
Aqui alguns videos e fotos de Roberto Bolle.

No ballet Excelsior no Teatro Alla Scala, Milão.

Entrevista à RAI sobre a despedida da partner Alessandra Ferri.

Na abertura da Olimpíada de Inverno, Turim, 2006.

Thursday, February 14, 2008

Ainda o dia dos namorados: tem declaração de amor mais arrebatadora e linda que a de Don José a Carmen, a ária La fleur que tu m'avais jetée?
Aqui com Placido Domingo e Elena Obraztsova, maestro Carlos Kleiber, Ópera de Viena, 1978.



E a resposta de Carmen: "Não, você não me ama. Porque se amasse fugia comigo". E ele foge.

Wednesday, February 13, 2008

Marcelo Gomes e Veronika Part em A Bela Adormecida

Para comemorar o dia dos namorados (no Brasil por que diabos cai em 12 de junho, quando no resto do mundo cai em 14 de fevereiro?) segue a trilha mais romantica jamais composta, do ballet A Bela Adormecida de Tchaikovsky, com Andre Previn e a London Symphony Orchestra.


Neste video Rudolf Nureyev fala sobre A Bela Adormecida, segundo ele o mais belo de todos os ballets, e dança algumas cenas, Ballet Nacional do Canadá, 1970.


Mikhail Baryshnikov e Natalia Makarova no pas de deux do terceiro ato, sem data.


ilustracao do conto La Belle au Bois Dormant de Charles Perrault

Pyotr Ilyich Tchaikovsky

Tuesday, February 12, 2008

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Barack Obama com 17 anos em Honolulu, Havaí, 1979

Os comícios do Obama me comovem. Em 12 anos aqui, nunca vi esse entusiasmo por um líder. Num comício que eu cobri na Washington Square, a multidão era tão grande que não coube todo mundo, a polícia fechou a praça. Era uma garotada entusiasmada. E o mais importante, todos me disseram que era a primeira vez que se interessavam por política.
O movimento contra a guerra no Iraque não colou, embora a maioria esteja contra a guerra. Muito difícil fazer esse pessoal ir para a rua protestar. Cobri vários protestos onde havia mais jornalistas do que manifestantes.
Obama é outra coisa. Ele torna concretos os vagos ideais de mudança, esperança, unidade. Protestar contra a guerra não muda nada, mas eleger Obama sim. É o que eles acreditam.
Escrevi em novembro de 2004, depois da derrota de John Kerry, o péssimo candidato que perdeu para George Bush, que a única esperança de vitória para o partido democrata em 2008 seria escolher Barack Obama para disputar a Casa Branca. Escrevi que Hillary Clinton era conciliadora demais para empolgar um eleitorado com sede de mudança. Parece que acertei.
Mas reconheço que Hillary reprenta um movimento forte, tal como Obama lidera o movimento contra a guerra e pela mudança. Hillary na presidência seria a vitória do feminismo no que ele tem de melhor: justiça social, valores igualitários, derrota da insensibilidade que domina a política deste país há décadas.
O ideal seria Obama para presidente e Hillary para vice, o que pode acontecer, mas a senadora não vai desistir tão cedo da cabeça de chapa, depois de ter levado com ampla margem os maiores estados, Califórnia e Nova York. As mulheres querem ver Hillary na presidência.
Essa briga pode se arrastar até o fim de abril, ou junho, ou, que seria um desastre, até a convenção do partido em fins de agosto. A não ser que Obama vença por grande maioria nos grandes estados que votam em 4 de março, Texas e Ohio. Se isso acontecer, Hillary deverá desistir. Mas ela é muito forte entre os latinos, e deve levar o Texas, o segundo maior estado do país.
Mais difícil ainda será reconciliar os dois movimentos, depois de concluída a disputa entre Obama e Hillary.
Pode ser que o partido se una em torno do candidato ou candidata. Pode ser que não, especialmente se Hillary for a escolhida. Muitos seguidores de Obama me disseram que não votam em Hillary de jeito nenhum. Não a perdoam por ter apoiado Bush no Iraque até fins de 2005. Estão certos. Em matéria de política externa, Hillary (como o marido dela, Bill) é tão falcão quanto Bush. Obama pelo menos é uma incógnita.
O movimento para levar o primeiro negro à Casa Branca está crescendo e com jeito de se tornar irresistível.
Mas os republicanos não vão dar mole. Nos estados que eles controlam - chamados de estados "vermelhos", cor que a mídia escolheu para eles no mapa - Obama tem chance de conquistar os eleitores independentes, mas vai ser muito duro.
No final, pode ser que o sucessor de George Bush seja alguém ainda mais beligerante, John McCain, que promete ocupar o Iraque por mais 100 anos e, se for o caso, invadir o Irã. Mas McCain é como Obama, espontâneo, engraçado, simpático - não um robô como Hillary - e um ás nos debates. Se for Obama contra McCain, vai ser a escolha entre o futuro, uma América mulata e aberta ao mundo, e o passado, a América branca e revanchista, fechada à renovação.

Thursday, January 31, 2008

Franz Schubert
31 de janeiro 1797, 19 de novembro 1828

Franz Schubert, 211 anos hoje

Franz, menino bonito de alma antiga,
Schubert, poeta do piano e da canção,
Gênio que adoçou a dureza do alemão
E tornou sublime a arte da cantiga,

Chega perto, me dá de novo a tua mão,
Tua presença tão suave e amiga,
E me tira mais uma vez da depressão.
Não há Mozart, Bach ou Beethoven que consiga

Me fazer chorar e rir de pura emoção
E perseverar apesar dessa fadiga
Da vida, pois ela não terá sido em vão

Se, como a tua, embora bem curta, siga
Vivendo pra sempre na música que liga
A voz, o olhar e o amor ao coração.


(Jorge Pontual, 31/1/2008)

Quarteto em Ré Menor, "A Morte e a Donzela", Andante, Emerson String Quartet

Salmo 23, Monteverdi Choir, John Eliott Gardiner

Impromptu n. 1, opus 142, Alfred Brendel, piano

Fantasia "Wanderer", Arthur Rubinstein, piano

Die Forelle,
Gute Nacht, Thomas Quasthoff, barítono

Im Abendrot,
Der Hirt auf dem Felsen, Margaret Price, soprano

Quinteto para Piano, Die Forelle (A Truta), Andantino/Allegro, Beaux Arts

Rosamunde, Claudio Abbado, Chamber Orchestra of Europe

Sinfonia n. 8 ("Inacabada"), Allegro moderato, Karl Böhm, Filarmônica de Berlim



Alfred Brendel toca o Impromptu Opus 90 número 3