Sunday, October 09, 2005

Vancouver

Passei uns dias em Vancouver, Canadá, gravando reportagem para o Fantástico. Uma pesquisa da Economist com executivos escolheu Vancouver como a melhor cidade do mundo. É de fato espetacular, uma cidade muito moderna (tem pouco mais de 100 anos) no meio de florestas de pinheiros e ao lado de montanhas altas cobertas de neve, onde vai acontecer a Olimpíada de inverno de 2010. E na cidade não faz frio no inverno por causa de uma corrente quente do Pacífico, a de Humboldt.
Lá conheci um casal de brasileiros, Christianne Odehnal e Éclilson de Jesus, que dirige uma academia de capoeira, Aché Brasil. Encantadores. Há 15 anos divulgam o Brasil no Canadá fazendo centenas de shows por ano, em escolas principalmente. Mais de um milhão de canadenses já viram os shows deles e muitos foram visitar o Brasil. Trazem capoeiristas do Brasil e alguns até já viraram canadenses. É ótimo ver tanta iniciativa e amor pelo nosso país, sem qualquer apoio oficial (o mais próximo consulado brasileiro fica do outro lado do Canadá, em Toronto).
Canadá: a América do Norte que deu certo.

Saturday, October 08, 2005

Tuesday, October 04, 2005

Poeta olhando cerejeiras


Sempre simpatizei com haiku, aquele poema japonês Zen de três linhas com um total de 17 sílabas, mas nunca tentei escrever. Millor Fernandes é o mestre brasileiro da forma, que ele chama de haicai. Um exemplo do Millor:

Na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua.


Hoje leio no Wall Street Journal que os jovens japoneses estão usando o celular para escrever e divulgar outra forma de poema curto, tanka. Vale a pena ler a matéria do WSJ aqui.
Tanka é um poema em cinco linhas com 31 sílabas, distribuídas em 5-7-5-7-7. Em japonês tanka é escrito numa única linha vertical.



Não sei japonês mas, se entendi bem, na ilustração acima cada linha vertical seria um tanka.
Não sabia que tanka é muito mais antigo que haiku. Começou no século VII, ou seja, há 14 séculos.
Haiku tem três séculos, e são só os três primeiros versos do tanka. É um poema mais conciso que se libertou da segunda parte, as duas últimas linhas. Nem haiku, nem tanka têm rimas porque rimar para os japoneses é um recurso fácil demais.
Tradicionalmente, no primeiro dia do ano, os japoneses, a começar pelo Imperador, escrevem tanka sobre o novo ano.

Trinta e seis poetas imortais

Os tradicionalistas estão furiosos com a popularidade do tanka entre os jovens. O tanka se presta ao celular porque os cinco versos curtos cabem na telinha. Isso quebra a linha única vertical. Pior ainda, os jovens não seguem as regras rígidas do tanka tradicional, aprendidas ao longo de muitos anos nas sociedades de escritores de tanka. Acontece que os membros dessas sociedades têm em média 80 anos. Graças ao celular, essa forma tradicional, que estava morrendo, ganhou vida nova.

exemplo de keitai tanka, pelo celular

Hoje há na TV japonesa concursos de keitai tanka, tanka enviado por celular. E em vez de se limitar a imagens convencionais da natureza, como reza a tradição, os novos poemas falam do cotidiano dos jovens.
No Brasil, Paulo Leminski escreveu tanka mas não achei nenhum.
É complicado adaptar a forma para outra língua. As sílabas japonesas são mais concisas do que as nossas. Um tanka é dito em duas respirações, uma para as três primeiras linhas, outra para as duas últimas. Nos Estados Unidos, onde o tanka está ficando popular entre os poetas, muitos abandonam a sequência 5-7-5-7-7, porque o poema fica longo demais para ser um tanka, e em vez disso escreve-se curto-longo-curto-longo-longo, sendo o curto de uma a três sílabas, e o longo de três a cinco.
Ao contrário do haiku, que contem uma única imagem ou idéia, o tanka articula duas ou três imagens ou idéias. É emocional, enquanto o haiku é cerebral.

De brincadeira, tentei meu primeiro tanka. Mandem seus tanka para o nyontime!

Toca o celular
mas eu estou no blogue
não posso atender.
Por estar tão ligado
perdi sua ligação.

Para ouvir: música da corte imperial japonesa (uso esse CD quando a festa já acabou mas tem sempre alguns que não vão embora. É botar o disco e todos saem correndo, é o equivalente musical de uma visita ao dentista)

Monday, October 03, 2005



Passei cinco dias me deliciando com um dos melhores romances que li este ano: On Beauty, da inglesa (30 anos) Zadie Smith. Ela escreve na melhor tradição inglesa - Virginia Woolf, E.M. Forster - com observação precisa da psicologia dos personagens, ouvido perfeito para o diálogo, humor não forçado. Esse livro é a história de um casal, Kiki, negra americana, e Howard, professor inglês de história da arte, casados há 30 anos, com três filhos. Eles vivem numa universidade perto de Boston, e o livro é também uma deliciosa sátira da vida acadêmica americana. Zadie é filha de jamaicana e inglês, então conhece bem o meio multirracial em que os personagens vivem. É raro um romance em que os personagens são tão reais. E ela mora em New York! Quem sabe de repente eu esbarro em Zadie na rua?

Zadie Smith

Frases de uma entrevista de Zadie Smith:

Escrever é uma arte total que envolve seres humanos, sua própria ética pessoal, sua consciência, sua sensibilidade. Essa é uma idéia muito antiquada, mas acho que é verdadeira.

Zadie Smith

A responsabilidade do escritor é contar a verdade. O objetivo é tentar contar a verdade - qualquer espécie de verdade. Pode ser uma verdade muito pequena. Verdade significa não que você lê o livro e pensa, "Ah, sim, é exatamente assim que eu faço o chá". Não é isso. Tem que ser verdade sem generalização, sem clichês, sem simplificação - o que é quase impossível.

Zadie Smith
Retrato de Dostoyevsky na exposição Rússia!

A megaexposição Russia! no museu Guggenheim é uma perda de tempo. Fora uns poucos ícones e um ou outro quadro interessante, como retratos de Tolstoy e Dostoeyvsky, e alguns bons exemplos do horrendo realismo socialista, 99% é lixo. Uma infinidade de quadros acadêmicos sem o menor interesse.
Obviamente o Guggenheim, que há muito deixou de ser museu para virar uma esperta multinacional para enganar estrangeiros otários (como Cesar Maia), está de olho nos bilhões dos novos magnatas russos.
No século XIX, o mercado de arte europeu abastecia os senhores feudais russos, que viviam da expoliação de servos (só uma família possuía 200 mil servos!) e queriam se passar por europeus sofisticados. Hoje a população russa está de novo reduzida à miséria, mas uns poucos oligarcas posam de "capitalistas modernos". O mau gosto desses novos ricos filisteus se reflete na "coleção" apresentada sob o ridículo título desse show, com ponto de exclamação e tudo. Coincidiu com uma feira de arte multimilionária reabrindo o palácio Manège em Moscou, outro festival de ostentação e mau gosto.
Os espertalhões russos, que se locupletaram com a criminosa privatização do estado, agora se dão ares de nobres tzaristas. E os ainda mais espertos mercadores de "arte" promovem exposições como esta para tentar valorizar esse lamentável espólio de imitações baratas da arte européia. Quem eles pensam que enganam?

Kandinsky


Em vez de glorificar o canhestro academicismo russo, o Guggenheim, se estivesse interessado em arte, deveria valorizar mais sua coleção de verdadeiros artistas russos, a vanguarda que revolucionou a pintura no início do século XX. Pelo menos, o museu abriu uma nova galeria para mostrar alguns dos seus maravilhosos Kandinskys.
Kandinsky foi um dos primeiros pintores abstratos e criou uma linguagem visual que procurava provocar emoções semelhantes às da música. Conseguiu.

Malevich

Outro grande artista russo representado por pouquíssimas telas nessa exposição é o abstracionista (ele se intitulava Supremacista) Kasimir Malevich. A obra dele é um tapa na cara do filistinismo que o cerca neste show infeliz. Moral da história: a Rússia não vive apenas um tremendo retrocesso econômico, social e político. Também culturalmente, o país está entregue aos predadores que tentam lucrar com o que há de pior na tradição tão rica dessa grande nação. É mais deprimente do que qualquer romance de Dostoyevsky.

Malevich


Algo de Podre no Reio de George W. (2)

Para acompanhar os escândalos de corrupção no governo Bush, a melhor leitura não é a imprensa chamada "liberal" (The New York Times, The Washington Post, etc) e sim a revista conservadora, assumidamente de direita, Weekly Standard, de propriedade de Rupert Murdoch. Não há espaço aqui para contar os detalhes revelados na matéria de capa do último número da revista, então recomendo aos interessados correr ao website da revista (http://www.weeklystandard.com/) para baixar a matéria Scandal Season, à qual em breve só os assinantes terão acesso.

São 11 páginas, contando como veio à tona um dos muitos casos de corrupção que respingam no ex-líder da maioria na Câmara, o todo-poderoso texano Tom DeLay. O repórter Matthew Continetti conta o que as investigações dos promotores e do Congresso já descobriram sobre a dupla Jack Abramoff e David Safavian.

Abramoff é um dos mais ricos lobistas de Washington, amigo íntimo de Tom DeLay, e está sendo investigado há um ano e meio. Já foi indiciado em pelo menos um caso de fraude contra tribos indígenas que são clientes dele, e vem mais por aí. Safavian, graças à influência de Abramoff, foi nomeado por Bush para chefiar o órgão que supervisiona as compras do governo federal, movimentando 300 bilhões de dólares por ano. Safavian mentiu aos investigadores sobre seus negócios com o amigo lobista, e por isso foi preso em 20 de setembro. Está sendo pressionado a abrir o jogo e contar tudo.

É uma história fascinante nos detalhes, que incluem bocas-livres como uma viagem à Escócia para jogar golfe, a convite do lobista, da qual fizeram parte Safavian e alguns deputados, ao custo de 100 mil dólares. Tom DeLay, entre outras coisas, é acusado de participar de uma dessas viagens, um "presente" que como deputado não poderia aceitar.

David Safavian na capa do Weekly Standard


Mais interessante é outra história envolvendo Abramoff, mas esta é um quebra-cabeças que ainda não vi ser bem contado em nenhum lugar. Juntando os pedaços aqui e ali, o caso é o seguinte:

Jack Abramoff, que tem 41 anos, era um "jovem republicano" nos anos 80, quando Ronald Reagan levou os EUA a darem uma violenta guinada para a direita. Militou no grupo dos "universitários republicanos". Depois tentou sem sucesso ser produtor de cinema em Hollywood e acabou voltando a Washington, nos anos 90, para trabalhar como lobista.

Logo, Abramoff despontou como um lobista de talento, graças a seus contatos no partido republicano, que passou a dominar o Congresso em 1994. Os clientes mais lucrativos de Abramoff eram as tribos indígenas que, por lei, são autorizadas a operar cassinos. Ao longo dos anos, o lobista recebeu mais de 80 milhões de dólares para defender os interesses das tribos. Parte do dinheiro foi parar no financiamento de campanha de deputados e senadores que ajudaram a aprovar leis e emendas favoráveis ao jogo.

Além disso, Abramoff e seu discípulo lobista, David Safavian, 38 anos, conduziram uma bem sucedida campanha para impedir que o Congresso proibisse o jogo pela Internet. Hoje as apostas online movimentam bilhões de dólares.

Os dois tinham outros clientes: o "rebelde" angolano Jonas Sawimbi; ditaduras como o Paquistão e a Malásia; conglomerados russos; Pascal Lissouba, o corrupto ex-presidente da República do Congo; e outros interessados em comprar acesso privilegiado a parlamentares poderosos como Tom DeLay. O sucesso de Abramoff como o mais "conectado" lobista de Washington decolou com a a eleição de Bush em 2000.

Tudo ia muito bem, mas surgiu uma pedra no meio do caminho, que agora ameaça derrubar todo o esquema. Uma história que envolve uma turma de mafiosos pé-dé-chinelo.

Jack Abramoff tem outro amigo dos tempos dos "jovens republicanos", Adam Kidan, de Nova York. Kidan começou no ramo de alimentos e logo se aproximou do mafioso Anthony "Big Tony" Moscatiello, da família Gambino, que trabalha no mesmo ramo e deu uma mãozinha ao jovem amigo. Uma amizade que não foi muito feliz para a mãe de Kidan, Judith Shemtov.

Em 1993, uma turma de mafiosos arrombou a casa de Judith, em Nova York. Alguém deu a eles a informação de que o marido dela, Sami, tinha 200 mil dólares guardados num cofre. Judith estava em casa e foi morta pelos mafiosos, que fugiram sem o dinheiro. Foram presos e estão cumprindo pena. Sami Shemtov, o padrasto de Kidan, acabou processando o enteado por ter lhe tomado 250 mil dólares, mas nunca viu a cor do dinheiro. Depois disso, Kidan investiu numa revenda de colchões, pediu concordata e levou milhões de dólares.

O amigo Jack Abramoff achou um bom negócio para Adam Kidan investir seus milhões: uma empresa da Flórida, a SunCruz, dona de uma frota de 11 barcos-cassino (no estado só é permitido jogar fora do mar territorial). O dono da empresa era o grego Konstantino "Gus" Boulis, um bem-sucedido empresário de Fort Lauderdale, dono de uma rede de lanchonetes, a Miami Subs. Acontece que a lei não permite que um estrangeiro seja dono de navios de bandeira americana. Boulis foi obrigado a vender a SunCruz.

Boulis fez um acordo com o Departamento de Justiça para manter o problema dele em segredo, e foi procurar ajuda em Washington, com o lobista Abramoff. Kidan e Abramoff se associaram em 2000 e compraram a empresa de Boulis, deixando o grego com 10 por cento. Mas não desembolsaram um tostão. Forjaram uma transferência eletrônica de 23 milhões de dólares, com a cumplicidade de Boulis, e assim convenceram dois bancos a emprestar mais 60 milhões para fechar o negócio.

Rapidamente a dupla passou a saquear os cofres da SunCruz. Boulis acabou entrando na justiça contra os dois, apresentando uma lista de gastos absurdos: Abramoff e Kidan recebiam 500 mil dólares por ano, cada um, de salário; compraram uma lancha por 90 mil; uma Mercedez Benz blindada, por 207 mil; um camarote de luxo no estádio de futebol de Washington, para o qual parlamentares eram convidados, por 310 mil dólares. E por aí vai. A briga entre o grego e a dupla Abramoff-Kidan chegou às vias de fato. Boulis e Kidan trocaram socos em dezembro de 2000.

No fim da tarde de 6 de fevereiro de 2001, Gus Boulis saiu do escritório em Fort Lauderdale ao volante de sua BMW. O carro foi fechado por outros dois e o grego executado com um tiro na cabeça.

Passaram-se quatro anos e meio, e na semana passada a polícia de Fort Lauderdale finalmente anunciou a prisão de três mafiosos acusados de matar Boulis: Anthony "Big Tony" Moscatiello, o amigo de Kidan, preso em casa em Nova York; Anthony "Little Tony" Ferrari e James Fiorillo, presos na Flórida. A juíza não aceitou o pedido dos advogados para que os três fossem soltos sob fiança.

Adam Kidan jura que não tem nada a ver com a morte de Boulis. Mas, pouco antes do assassinato, a SunCruz pagou, a Big Tony e Little Tony, 250 mil dólares por serviços de "consultoria no ramo de alimentos". Os investigadores não encontraram provas de que esses "serviços" tenham sido prestados.

Por enquanto nem Kidan nem Abramoff foram indiciados na morte de Boulis. Mas os dois irão a julgamento, em janeiro, por terem forjado o documento que induziu os bancos a emprestarem dinheiro para comprar a empresa de cassinos. Aliás, pouco depois do assassinato de Boulis a SunCruz pediu concordata e a frota de barcos-cassino hoje pertence a outra empresa.

Essa história acaba de vir à tona. A imprensa americana mal começou a arranhar a superfície de todos esses casos entrelaçados. A impressão que se tem é de que, uma vez puxado o primeiro fio, toda a rede de negócios escusos e crimes será exposta. Um dos maiores interessados é o senador John McCain, que preside a comissão que fiscaliza os cassinos indígenas, tem uma relação de amor-e-ódio com Bush, e é um homem íntegro, até onde se sabe.

A Casa Branca não está envolvida em nada disso. Mas Tom DeLay e outros parlamentares republicanos estão. Dificilmente o caso Abramoff irá respingar em George Bush. Mas outra investigação paralela pode se tornar o Watergate de Bush. É a devassa, por um promotor especial, sobre a revelação à imprensa do nome de uma agente da CIA, Valerie Plame, em 2003. A Casa Branca queria se vingar do marido dela, o embaixador Joe Wilson, que revelou a mentira contida num discurso de Bush ao Congresso, no qual o presidente acusou Saddam Hussein de comprar urânio de um país africano.

O grande suspense do momento em Washington é: será que o promotor Patrick Fitzgerald vai acusar alguém na Casa Branca de ter passado aos jornalistas a identidade de Valerie, o que é crime? Da investigação, que levou à cadeia por três meses a repórter Judy Miller, do New York Times, por ter protegido a identidade confidencial de sua fonte, já veio a público que os principais assessores de Bush, Karl Rove, e do vice-presidente Dick Cheney, Scott Libby, falaram com vários repórteres sobre Valerie. Mas para indiciá-los é preciso provar que tinham a intenção de tornar público o nome da espiã.

Se Rove e Libby forem indiciados - e talvez condenados - Bush pode sair chamuscado. Todos esses personagens - Abramoff, Kidan, Safavian, Big Tony e Little Tony, Rove e Libby - poderão estar sendo julgados poucos meses antes das eleições para o Congresso em novembro do ano que vem. Na oposição, os democratas estão salivando com a possibilidade de faturar em cima desses escândalos e recuperarem a maioria na Câmara e no Senado. Ou, quem sabe, tudo acabará no ramo de alimentos, em pizza ou hamburguer.

Jack Abramoff

Saturday, October 01, 2005



Vi esta noite na TV o documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan, No Direction Home, quatro horas, genial. Dylan reflete sobre a vida dele. "Eu nasci muito longe de onde eu queria chegar", ele diz, "por isso estou sempre a caminho de casa (on my way home)". O DVD já está à venda.

Rainy Day Women

Like a Rolling Stone

Don't think twice it's all right

Blowing in the wind



The times they are a'changin'

I want you

Just like a woman

Knocking on heaven's door

Hurricane



All along the watchtower

Lay lady lay

Everybody must get stoned

Mr. Tambourine man

It ain't me babe

Êxtase de São Francisco, Caravaggio


Está saindo aqui Caravaggio, biografia do pintor escrita pela romancista Francine Prose. Michelangelo Merisi da Caravaggio era escandaloso (hoje seria condenado como pedófilo), violento a ponto de cometer pelo menos um assassinato (suponho que seja o sonho de muitos tenistas: matou o oponente no fim da partida). Morreu em 1610 aos 39 anos. Injetou virilidade e realismo na pintura esclerosada da época.
Segundo Prose, "tendo gastado sua vida breve, trágica e turbulenta pintando milagres, ele conseguiu criar um - o milagre da arte, o milagre da maneira pela qual alguma tinta, poucos pincéis, um quadrado de tela, junto com o ingrediente mais essencial, gênio, pode produzir algo mais forte que o tempo e época, mais poderoso que a morte".

Mais Caravaggio aqui.

E para ouvir, do contemporâneo de Caravaggio, Claudio Monteverdi, Esurientes implevit bonis, com o coro de meninos da catedral de Salisbury, e Sicut locutus est, com a Orqeustra e Coro Monteverdi, maestro John Eliot Gardiner.