Wednesday, February 13, 2008

Marcelo Gomes e Veronika Part em A Bela Adormecida

Para comemorar o dia dos namorados (no Brasil por que diabos cai em 12 de junho, quando no resto do mundo cai em 14 de fevereiro?) segue a trilha mais romantica jamais composta, do ballet A Bela Adormecida de Tchaikovsky, com Andre Previn e a London Symphony Orchestra.
Neste video Rudolf Nureyev fala sobre A Bela Adormecida, segundo ele o mais belo de todos os ballets, e dança algumas cenas, Ballet Nacional do Canadá, 1970.


Mikhail Baryshnikov e Natalia Makarova no pas de deux do terceiro ato, sem data.


ilustracao do conto La Belle au Bois Dormant de Charles Perrault

Pyotr Ilyich Tchaikovsky

Tuesday, February 12, 2008

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Barack Obama com 17 anos em Honolulu, Havaí, 1979

Os comícios do Obama me comovem. Em 12 anos aqui, nunca vi esse entusiasmo por um líder. Num comício que eu cobri na Washington Square, a multidão era tão grande que não coube todo mundo, a polícia fechou a praça. Era uma garotada entusiasmada. E o mais importante, todos me disseram que era a primeira vez que se interessavam por política.
O movimento contra a guerra no Iraque não colou, embora a maioria esteja contra a guerra. Muito difícil fazer esse pessoal ir para a rua protestar. Cobri vários protestos onde havia mais jornalistas do que manifestantes.
Obama é outra coisa. Ele torna concretos os vagos ideais de mudança, esperança, unidade. Protestar contra a guerra não muda nada, mas eleger Obama sim. É o que eles acreditam.
Escrevi em novembro de 2004, depois da derrota de John Kerry, o péssimo candidato que perdeu para George Bush, que a única esperança de vitória para o partido democrata em 2008 seria escolher Barack Obama para disputar a Casa Branca. Escrevi que Hillary Clinton era conciliadora demais para empolgar um eleitorado com sede de mudança. Parece que acertei.
Mas reconheço que Hillary reprenta um movimento forte, tal como Obama lidera o movimento contra a guerra e pela mudança. Hillary na presidência seria a vitória do feminismo no que ele tem de melhor: justiça social, valores igualitários, derrota da insensibilidade que domina a política deste país há décadas.
O ideal seria Obama para presidente e Hillary para vice, o que pode acontecer, mas a senadora não vai desistir tão cedo da cabeça de chapa, depois de ter levado com ampla margem os maiores estados, Califórnia e Nova York. As mulheres querem ver Hillary na presidência.
Essa briga pode se arrastar até o fim de abril, ou junho, ou, que seria um desastre, até a convenção do partido em fins de agosto. A não ser que Obama vença por grande maioria nos grandes estados que votam em 4 de março, Texas e Ohio. Se isso acontecer, Hillary deverá desistir. Mas ela é muito forte entre os latinos, e deve levar o Texas, o segundo maior estado do país.
Mais difícil ainda será reconciliar os dois movimentos, depois de concluída a disputa entre Obama e Hillary.
Pode ser que o partido se una em torno do candidato ou candidata. Pode ser que não, especialmente se Hillary for a escolhida. Muitos seguidores de Obama me disseram que não votam em Hillary de jeito nenhum. Não a perdoam por ter apoiado Bush no Iraque até fins de 2005. Estão certos. Em matéria de política externa, Hillary (como o marido dela, Bill) é tão falcão quanto Bush. Obama pelo menos é uma incógnita.
O movimento para levar o primeiro negro à Casa Branca está crescendo e com jeito de se tornar irresistível.
Mas os republicanos não vão dar mole. Nos estados que eles controlam - chamados de estados "vermelhos", cor que a mídia escolheu para eles no mapa - Obama tem chance de conquistar os eleitores independentes, mas vai ser muito duro.
No final, pode ser que o sucessor de George Bush seja alguém ainda mais beligerante, John McCain, que promete ocupar o Iraque por mais 100 anos e, se for o caso, invadir o Irã. Mas McCain é como Obama, espontâneo, engraçado, simpático - não um robô como Hillary - e um ás nos debates. Se for Obama contra McCain, vai ser a escolha entre o futuro, uma América mulata e aberta ao mundo, e o passado, a América branca e revanchista, fechada à renovação.

Thursday, January 31, 2008

Franz Schubert
31 de janeiro 1797, 19 de novembro 1828

Franz Schubert, 211 anos hoje

Franz, menino bonito de alma antiga,
Schubert, poeta do piano e da canção,
Gênio que adoçou a dureza do alemão
E tornou sublime a arte da cantiga,

Chega perto, me dá de novo a tua mão,
Tua presença tão suave e amiga,
E me tira mais uma vez da depressão.
Não há Mozart, Bach ou Beethoven que consiga

Me fazer chorar e rir de pura emoção
E perseverar apesar dessa fadiga
Da vida, pois ela não terá sido em vão

Se, como a tua, embora bem curta, siga
Vivendo pra sempre na música que liga
A voz, o olhar e o amor ao coração.


(Jorge Pontual, 31/1/2008)

Quarteto em Ré Menor, "A Morte e a Donzela", Andante, Emerson String Quartet

Salmo 23, Monteverdi Choir, John Eliott Gardiner

Impromptu n. 1, opus 142, Alfred Brendel, piano

Fantasia "Wanderer", Arthur Rubinstein, piano

Die Forelle,
Gute Nacht, Thomas Quasthoff, barítono

Im Abendrot,
Der Hirt auf dem Felsen, Margaret Price, soprano

Quinteto para Piano, Die Forelle (A Truta), Andantino/Allegro, Beaux Arts

Rosamunde, Claudio Abbado, Chamber Orchestra of Europe

Sinfonia n. 8 ("Inacabada"), Allegro moderato, Karl Böhm, Filarmônica de Berlim



Alfred Brendel toca o Impromptu Opus 90 número 3

Sunday, January 27, 2008

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Genial, uma maravilha o musical Sunday in the Park with George de Stephen Sondheim que acaba de estrear na Broadway.
Inteligente, arrebatador, delicado e visualmente mágico, um espetáculo intimista, minimalista e de grande emoção.
A montagem vem de Londres onde levou os principais prêmios em 2006. Na Broadway, a primeira versão, de 1984, ficou pouco mais de um ano em cartaz. Tomara que esta dure mais. Não é para o público de cavalos-de-batalha como Fantasma da Ópera e Mamma Mia. Os musicais de Sondheim são sofisticadíssimos e exigentes. É preciso pensar. E a música é difícil, não se entrega de cara. Tem que ser degustada. Infelizmente, quando Sondheim estava no auge a Broadway foi invadida pelos megadigestivos indigestos de Andrew Lloyd Weber e Disney e as pérolas de Sondheim ficaram relegadas. Mas estão sempre sendo redescobertas.
Recentemente, Sondheim, que está com 77 anos, teve uma de suas obras-primas, Sweeney Todd, brilhantemente adaptada para o cinema por Tim Burton (imperdível).
Na carreira de Sondheim, que começou com as letras de West Side Sory, com música de Leonard Bernstein, Sunday in the Park with George, que ganhou o Pulitzer, talvez seja o ponto mais alto.
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O musical gira em torno do quadro Domingo à Tarde na ilha da Grande Jatte de Georges Seurat (1884). No primeiro ato, os personagens são o pintor e os personagens da tela. No segundo, nos dias de hoje, um americano descendente de Seurat, também chamado George, se vê perdido no mundo da arte contemporânea e vai a Paris em busca do segredo da arte de Seurat.
No pequeno palco do teatro do Studio 54, o cenário se limita a três paredes brancas. Tudo é projetado nelas, a começar pela Grande Jatte à medida que vai sendo pintada. Não dá para descrever a magia que acontece no palco.
Os ingleses Daniel Evans e Jenna Russell, ganhadores do Olivier em Londres em 2006, estão entre os melhores que já vi na Broadway. Jenna Russell terminou o espetáculo às lágrimas, aplaudida de pé.
Seurat inventou o pontilhismo. Inspirado pelos avanços da óptica, em vez de misturar as tintas ele pintava pequenos pontos nas três cores primárias. A variedade das cores vistas na tela só existe na percepção de quem vê. Ele morreu com apenas 31 anos e deixou poucas telas mas abriu o movimento pós-impressionista que levou à arte moderna do século XX.
Sondheim mergulha na experiência criativa do artista, no conflito do criador com a sociedade e a família, e os dois Georges se redimem na fidelidade à arte, entendida como a busca da harmonia. A partitura é ousada, experimental, uma versão musical do pontilhismo.
Aqui vai o número Color and Light do primeiro ato com Daniel Evans e Jenna Russell.
No segundo ato, Marie, filha (fictícia) de Seurat nascida nos Estados Unidos, avó do artista George, conta para o neto que o melhor que a gente deixa para o mundo são as crianças e a arte: Children and Art. De novo com Jenna Russel e Daniel Evans.
Daniel Evans e Jenna Russell

Thursday, January 24, 2008

Jake Gyllenhall e Heath Ledger em Brokeback Mountain


Depois da morte do Heath Ledger revi Brokeback Mountain e gostei mais. Da primeira vez não gostei tanto, ainda estava sob o impacto do conto de Annie Proulx que é bem mais duro e genuíno. O roteiro é fiel ao conto mas dilui e enfeita a crueza da história. O conto é terrível. O filme é bonito.
Desta vez prestei mais atenção ao trabalho de Heath Ledger e concordo com aqueles que viram nele algo à altura de Brando e outros grandes do cinema.
Numa entrevista à AP, Annie Proulx disse que Ledger "entrou na história mais do que eu... Ele entrou na pele do personagem". Poucos atores da geração de Ledger têm esse dom de desaparecer dentro do papel, a capacidade de introspecção para sentir o que o personagem sente e transmitir isso fisicamente, uma técnica que a maioria dos atores leva anos para dominar.
Nem sempre deu certo. Num dos filmes mais recentes do ator, ele fez o papel de Robbie Clark, uma das encarnações de Bob Dylan em I'm Not There. Robbie é conflituado, deprimido, insatisfeito com a vida, mas Ledger não consegue passar isso de um jeito interessante, parece perdido no filme.
No caso de Ennis Del Mar, o personagem de Brokeback Mountain, o conflito interior do personagem é muito mais claro e devastador. Ennis não consegue aceitar a atração dele por outro homem, o desinibido Jack Twist de Jake Gyllenhall. Quase sem dizer nada, com grunhidos reprimidos, boca fechada, Ledger consegue expressar toda a força do desejo de Ennis por Jack, e ao mesmo tempo a impossibilidade de exteriorizar esse desejo. Mas em vez de tentar escapar ao conflito, Ennis mergulha nele e acaba aceitando, tarde demais, o amor proibido. É o que dá ao filme a dimensão de tragédia, e deveria ter dado um Oscar a Ledger, se não fosse a concorrência de Phillip Seymour Hoffman, que levou o prêmio com Capote.
Por ter morrido tão novo, Ledger será sempre lembrado por esse papel e, na história do cinema, Brokeback Mountain é um filme infinitamente mais importante do que Capote. É o primeiro filme de grande público que trata o amor entre dois homens com profundo respeito e sem preconceitos.
Heath Ledger era uma figura calada, discreta, um australiano educadíssimo que não bebia álcool nem usava drogas (o que aumenta o mistério em torno da morte dele). Poderia ter seguido uma carreira previsível de astro de Hollywood, em filmes de ação e blockbusters. Preferiu escolher projetos independentes e arriscados. A morte prematura o eleva à esfera rarefeita de artistas como James Dean, que ficarão para sempre jovens e cercados de uma aura de mistério, do que poderia ter sido.

Sunday, January 20, 2008

Thomas Quasthoff


Fui ao Carnegie Hall para o concerto do trio Thomas Quasthoff (baixo-barítono), Ian Bostridge (tenor) e Dorothea Röschmann (soprano), cantando Schubert. Bostridge e Röschmann são ótimos e a tournée do trio pela Europa foi uma sensação. Mas o grande impacto é Quasthoff. Nascido na Alemanha, 48 anos, ele é uma vítima da Talidomida, o remédio que era dado para o enjôo das grávidas e fazia os bebês nascerem deformados. Ele mede 1,20, as mãos, uma com três dedos, a outra com quatro, saem diretamente dos ombros, e as pernas não têm joelhos. Quasthoff anda com dificuldade, mas anda. Ele escala uma plataforma onde se senta para a performance. E quando ele começa a cantar é uma revelação. Não é o chavão de dizer que "a gente esquece que ele é deformado". É que a grandeza dele como artista e pessoa transcende a aparência física. A voz é poderosa e vai do tenor ao baixo profundo. Mas ele valoriza mais a interpretação dramática do que a técnica. É um grande ator.
Achei o CD que ele gravou com canções românticas do repertório jazzístico americano e aqui vai My Funny Valentine.
E do Requiem Alemão de Brahms, Herr, lehre doch mich, com a Filarmônica de Berlim regida por Simon Rattle.

Thursday, January 17, 2008

FUÇANDO NO LIXO

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Nunca checo os emails que o filtro joga no lixo. Mas como estou esperando resposta para alguns emails importantes, pedindo entrevistas, resolvi checar se por acaso teriam ido parar lá no junk mail.
Nelson Snizore, da Costa do Marfim, pede ajuda porque "my parents are late", um hilariante erro de inglês. "Late parents" são pais falecidos (ele pede socorro porque é órfão) mas "my parents are late" quer dizer "meus pais estão atrasados". Estou lendo um livro delicioso do Steven Pinker (uma das entrevistas pedidas ainda sem resposta) sobre esses erros, que revelam o funcionamento da linguagem. No caso desse órfão, ele não está tão necessitado de socorro, pois diz ter herdado 2.350.000 dólares do pai. Ele me oferece um décimo se eu lhe mandar meu email e telefone.
A África deve estar nadando em dinheiro. O nigeriano Depreye Duke Francis anuncia que vai me mandar um cartão bancário com o qual vou poder retirar 20.000 dólares por dia de uma conta com 5,9 milhões de dólares, isso depois de me passar uma espinafração por não ter respondido aos seus emails anteriores (deve ter uma pilha deles no meu lixo). Tenho que lhe mandar nome e endereço.
Do Togo, outro país africano, Mademoiselle Karimatou Menssan me escreve em francês se apresentando como minha irmã (será que meu pai andou por lá? Quando era piloto ele fazia escala em Dakar, Senegal. É perto), pedindo que eu a ajude a transferir para a Espanha 46 milhões de dólares que recebeu do falecido amante, o ex-presidente do Togo! Eu fico com metade e distribuo o resto por orfanatos. Nada mal. Enquanto providencio minha ida à Espanha para retirar o dinheiro, Mlle Karimatou pede que eu reze por ela.
Kriss Moore da Austrália comunica que meu bilhete da loteria australiana foi PREMIADO!!! E eu nem sabia que tinha comprado esse bilhete. São 350 mil dólares. É só preencher um formulário e mandar por email para um tal de Viktor Klose.
Não encontrei nenhum anúncio de tratamentos para aumento do pênis. Será que sou um caso perdido? Mas de alguém chamado Lacerations Colvin recebi um email sobre "disfunção na erecção". O texto do email é um trecho de Guerra e Paz - que coincidência, acabo de ler o romance na nova tradução em inglês, uma maravilha. Não tinha me tocado de que além do êxtase literário Tolstoy também servia para isso. Vou experimentar.
Mais explícitos são vários emails de Thais, Luana Gata e Paulinha Levada, me mandando fotos de "nós dois juntinhos" no "reveiow"(sic). Wow. Não abri as fotos embora Paulinha prometa que não trazem vírus. Como ela é levada, não vou arriscar.
Juro que não passei o "reveiow" com elas. Me comportei muito bem. Aliás talvez eu aceite a oferta de Mr. Robin Benson, que em agradecimento ao meu "esforço, sinceridade, coragem e confiabilidade" está me mandando 1 milhão de dólares. É só eu ligar ou mandar email para o advogado dele.
E o que fazer com esse dinheiro todo? Outro email, este em português, oferece uma excursão a Dubai com guia brasileiro. Vou lá visitar o Paulo Coelho que ganhou uma mansão do emir de Dubai. Ou será que ele caiu num golpe das Arábias?

Friday, January 11, 2008

Renée Magritte, O Cheque em Branco

AUSÊNCIA

Transcrevo a fala da médica Melanie Maia na colação de grau, em dezembro.

"Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." (Drummond)

Inicio esta homenagem com um protesto, protesto contra sua denominação. Ausência, no dicionário, é sinônimo de afastamento, inexistência e falta - palavras que definitivamente não se aplicam àqueles que pretendo homenagear hoje. Afinal, se chegamos até aqui e reservamos um espaço para homenageá-los, é porque foram, de alguma forma, fundamentais para esta conquista.

Peço licença para falar um pouco da minha experiência, e estou certa de que todos aqueles que tenham vivenciado situações parecidas se reconhecerão em minha saudade. Perdi meu pai há um ano, e não consigo tratá-lo como um ausente nesta noite. Não falo isso por achar que ele está aqui em cima, em uma nuvenzinha, me olhando e vibrando por mim – não acredito em nada disso... Acredito, sim, na força das pessoas, no pensamento positivo, na energia de um abraço. Acredito que cada um dos presentes que saiba de minha história trouxe para cá um pedacinho de meu pai, e é capaz de representá-lo muito bem, tornando-o também um presente.

É esse o espírito de minha homenagem: trazer os ausentes para junto de nós esta noite, lembrando de sua importância em nossa trajetória, e da vontade que um dia tiveram de compartilhar conosco esse momento. Escolho uma oração para finalizar meu discurso - não por uma questão de crença, mas pela sua beleza e relevância de sua mensagem - a oração de Santo Agostinho.

"A morte não é nada
apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu.
Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.
Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou,
continua sendo o que era.
O cordão da união não se quebrou.
Por que eu estaria fora de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista?
Não estou longe,
somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem...
Redescobrirás meu coração.
E nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e,
se me amas,
não chores mais."