Sunday, July 15, 2007

Fran Crippen

Não estou gostando do antiamericanismo idiota que empana o espírito olímpico neste Pan. A vaia do Maraca à delegação dos EUA foi vergonhosa. Tudo bem que o brasileiro esteja contra o Bush, até no país dele a maioria está. Mas o que é que os atletas têm com isso? Será inveja/despeito porque são os melhores (e já estão em primeiro com nove medalhas de ouro contra zero do Brasil, que está em nono)? Os Estados Unidos investem há muito tempo no atletismo, o que o Brasil não faz. Em quase todas as universidades há um enorme incentivo aos atletas. Com o potencial humano brasileiro, se aqui se investisse desse jeito no esporte amador nós tambem ganharíamos medalhas de ouro.
Ontem aconteceu um episódio lamentável. Acompanhei a transmissão ao vivo da maratona aquática na praia de Copabacana, mais linda do que nunca. Segundo o narrador, vinha em primeiro, bem à frente, um americano. Mais atrás, um venezuelano. E toma torcida para o venezuelano passar à frente. E passou. Foi emocionante, uma bela vitória, todos empolgados com a medalha de ouro do nadador Ricardo Monasterio da Venezuela. Mais tarde vi a entrega de medalhas. Sobe ao pódio o americano Fran Crippen (foto acima) para receber a medalha de ouro. Ué. O que houve? Um golpe anti-Chavez? Cadê o venezuelano? Nenhuma explicação para o telespectador. Hoje fui saber nos jornais que o venezuelano chegou em quarto. A disputa emocionante foi entre dois americanos. A imprensa botou a culpa pelo engano no comitê organizador. Mas tive que penar para achar essa notinha. Pra quase todo mundo o venezuelano continua campeão. E o pior é que não saiu nada sobre o Crippen, texto, foto, nada. É como se não existisse. Os americanos já ganharam nove medalhas de ouro até esta manhã de domingo mas a imprensa só fala exaustivamente dos brasileiros que ganham prata e bronze. Tudo bem, eles merecem aplausos. Mas por que ignorar os campeões? Por causa do Bush? Essa mentalidade tacanha não ajuda o Brasil.

7 comments:

Iza said...

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Os atletas não podem pagar uma conta q não é deles, babaquice

Fabiano said...

O problema é o foco das coberturas jornalísticas, invariavelmente ufanista. Assim, pouco bronze e prata nacionais são mais relevantes do que o ouro americano.

new york on time said...

e eu que detesto a mídia nos EUA porque só olha o próprio umbigo e ignora o resto do mundo, a não ser quando os ameaça, não posso mais jogar a primeira pedra...

Ritoca said...

Oi Jorge!

Eu acho que a vaia para a delegação americana não tem nada a ver com o Busch, mas, se deve ao lamentável episódio do "welcome to Congo", vc soube?...

Abraço

new york on time said...

O idiota que escreveu "welcome to the Congo" foi imediatamente punido e mandado embora. Fiquei surpreso com a importância que a mídia aqui deu a essa bobagem. Mostra que existe um antiamericanismo exagerado que transforma qualquer besteira num escândalo. Por que esse complexo de inferioridade alimentado por ressentimento? O que objetivamente os EUA fazem contra o Brasil para justificar essa obsessão antiamericana? Em outros países essa xenofobia é usada por quem manda para desviar a atenção das mazelas internas. Será isso também aqui?

Ritoca said...

Jorge,
Aqui vale tudo para distrair o povão dos problemas daqui: futebol, carnaval, gringo que fala bobagem...
Até a vaia ao presidente, disseram que foi a oposição. Eles acham que tá todo mundo feliz com tudo que acontece aqui, que ninguém tem motivo para não estar satisfeito com o Lulinha. Que pretensão, hein?!...

Cris de La Maria said...

Pois é...não só com a delegação americana houverma vaias, mas tem sido uma constante nos jogos e realmente É UMA VERGONHA...
A falta de respeito e o pouco discernimento do que é ser parte de uma torcida, me espanta.
Acho bem mais bonito uma hola bem feita e com muuuito patriotismo, do que vaias.
Abraços