Tuesday, July 17, 2007




Até que enfim a mídia aqui está dando um pouquinho de atenção a um atleta estrangeiro (ou "forasteiro" como prefere o UOL), que apareceu por alguns segundos numa reportagem. Também pudera, o homem é um mito da natação, um veterano de 32 anos. Gary Hall Jr. é o americano recordista de velocidade na piscina, participou de três olimpíadas e conquistou 10 medalhas: cinco de ouro, três de prata, duas de bronze. O pai, Gary Hall Sr, também participou de três olimpíadas, o que faz deles a única dupla pai-filho que esteve em três jogos olímpicos. Gary é um figuraço, se veste como super-herói e dança shadow-boxing na beira da piscina, as crianças o adoram. Aos 24 anos descobriu que sofre de diabetes tipo 1, ou seja, frequentemente tem que injetar insulina antes ou depois de uma prova. Virou o porta-voz nacional da Associação de Diabéticos Americana, levantando fundos para pesquisa e conscientizando o país sobre a doença, além de mostrar que um diabético pode ser um atleta olímpico. E não é careta. Já foi punido por ter fumado maconha, detectada no exame antidoping (mais interessante do que remédio para celulite, não?). Enfim, se com esse currículo ele não merecer pelo menos uma reportagenzinha... Mas tem um enorme defeito: não é brasileiro.
Abaixo a jovem estrela do time americano, Dale Rogers. Já que os gringos não aparecem na TV, o jeito é vê-los aqui.
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Sunday, July 15, 2007




Primeiro ouro do Brasil, Diogo Silva.
Na Olimpíada de Atenas, Diogo entrou no ringue com luvas pretas como protesto contra a falta de apoio ao esporte amador no Brasil:
"É uma luva dos Black Panthers, um sinal de protesto, da indignação. Por mais que a gente batalhe, nosso sacrifício não é recompensado. Foi meu protesto para que o Brasil veja a dificuldade que o esporte amador enfrenta. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários".
Graças a ele o Brasil passou para sétimo em medalhas no Pan.
Mas as TVs continuam ignorando os outros medalhistas, só mostram os brasileiros. Pode?
Fran Crippen

Não estou gostando do antiamericanismo idiota que empana o espírito olímpico neste Pan. A vaia do Maraca à delegação dos EUA foi vergonhosa. Tudo bem que o brasileiro esteja contra o Bush, até no país dele a maioria está. Mas o que é que os atletas têm com isso? Será inveja/despeito porque são os melhores (e já estão em primeiro com nove medalhas de ouro contra zero do Brasil, que está em nono)? Os Estados Unidos investem há muito tempo no atletismo, o que o Brasil não faz. Em quase todas as universidades há um enorme incentivo aos atletas. Com o potencial humano brasileiro, se aqui se investisse desse jeito no esporte amador nós tambem ganharíamos medalhas de ouro.
Ontem aconteceu um episódio lamentável. Acompanhei a transmissão ao vivo da maratona aquática na praia de Copabacana, mais linda do que nunca. Segundo o narrador, vinha em primeiro, bem à frente, um americano. Mais atrás, um venezuelano. E toma torcida para o venezuelano passar à frente. E passou. Foi emocionante, uma bela vitória, todos empolgados com a medalha de ouro do nadador Ricardo Monasterio da Venezuela. Mais tarde vi a entrega de medalhas. Sobe ao pódio o americano Fran Crippen (foto acima) para receber a medalha de ouro. Ué. O que houve? Um golpe anti-Chavez? Cadê o venezuelano? Nenhuma explicação para o telespectador. Hoje fui saber nos jornais que o venezuelano chegou em quarto. A disputa emocionante foi entre dois americanos. A imprensa botou a culpa pelo engano no comitê organizador. Mas tive que penar para achar essa notinha. Pra quase todo mundo o venezuelano continua campeão. E o pior é que não saiu nada sobre o Crippen, texto, foto, nada. É como se não existisse. Os americanos já ganharam nove medalhas de ouro até esta manhã de domingo mas a imprensa só fala exaustivamente dos brasileiros que ganham prata e bronze. Tudo bem, eles merecem aplausos. Mas por que ignorar os campeões? Por causa do Bush? Essa mentalidade tacanha não ajuda o Brasil.

Friday, July 13, 2007

RIO CIDADE OLÍMPICA




Nuzman está certo, o Pan abençoou o Rio com o espírito olímpico. Vejo desde garotinho as aberturas de Olimpíadas (as primeiras em filme) e nunca vi nada, nada que chegasse perto dessa cerimônia do Pan. Deslumbrante é pouco. Mais que perfeita. Chorei do início ao fim, a começar com Elza Soares arrasando no hino nacional a capela (finalmente nos livramos da Fafá de Belém). Aquele "margens pláaaaacidas" gutural foi de arrepiar. Até dona Marisa chorou apesar do botox.
Sempre achei a Rosinha Magalhães de longe a melhor carnavalesca, mas diante da torcida contra unânime na nossa imprensa, temi pelo pior. Ela fez os urubus engolirem a língua. Cada imagem, cada cena era mais original e arrasadora do que a outra, tudo - dança, música, roupas, luzes, fogos, e o timing, que nunca ficava longo, arrastado, repetitivo. Um espetáculo enxuto e ao mesmo tempo transbordante de beleza.



Fiquei surpreso e triste, procurando fotos, ao constatar que a mídia mundial ignorou a festa. Não foi transmitida nos EUA a não ser por um obscuro canal hispânico que ninguém vê. Nem na internet foi destaque. O problema é que os atletas top dos EUA não participam do Pan porque os jogos perderam expressão. Mas se for pela festa de abertura, já somos campeões olímpicos. E candidatos sérios à Olímpiada de 2016.
Nem nosso patético Guia conseguiu estragar a festa. Levou vaia todas as vezes que seu nome foi mencionado, mas acabou sendo salvo de uma vaia avassaladora por Nuzman, que tomou a si a incumbência presidencial de declarar abertos os jogos. Foi um alívio. Teria sido chato empanar o brilho da festa com uma tremenda vaia, mesmo que totalmente justificada.

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Digo a todo mundo aqui com os olhos de quem está longe há muito tempo que o Rio está muito, mas muito melhor. E finalmente o poder público resolveu atender ao anseio da população e enfrentar a criminalidade, a corrupção, a impunidade. É claro que o caos do governo federal atrapalha - nosso Guia pateta diz que dá todo apoio a Sérgio Cabral, porém se recusa a mandar o Exército - mas o Rio está começando a dar a volta por cima. E o Pan é reflexo disso. A torcida contra na mídia anunciou que haveria um caos no trânsito a partir de hoje. Quebraram a cara. Vim da Gávea à Barra na hora do rush em 15 minutos, contra uma hora e meia da sexta-feira passada. O povo carioca resolveu colaborar com o esquema do trânsito e deixar o carro em casa. O Rio dá certo quando todos querem.
Estou apaixonado pelo Rio e pelos cariocas.

Tuesday, July 03, 2007

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Estou no Rio, que felicidade. Fico até agosto. Byebye New York.
Encontrei esta foto no Flickr, faz parte de uma sequência deslumbrante, obra da fotógrafa genial de Niterói chamada neloqua.
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Cheguei ao Rio hoje. Passei esses dias todos sem entrar no blog. Ouvi dizer que andaram acontecendo coisas estranhas nos comentários, alguns sumiram, não sei. Acho que tenho um webmaster fantasma que me protege de comentários ruins. Seja quem for, agradeço.
Perdoem o lugar comum mas estou em êxtase com o Rio. Horas contemplando o Corcovado da janela, esperando a lua nascer por trás do Pão de Açucar na Praia Vermelha, deitado na rede olhando a Pedra da Gávea. Ainda faltam os Dois Irmãos, a Lagoa, sei lá. Tom disse tudo: New York é bom mas é uma merda. O Rio é uma merda mas é boooooooooooom...
Achei estas fotos lindas no Flickr.



Wednesday, June 27, 2007

O meu Vermeer

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Fui hoje a Washington e como sempre faço dei um pulinho de cinco minutos à National Gallery para ver o meu Vermeer, A Garota (ou será garoto?) do Chapéu Vermelho. Desta vez conheci a verdadeira dona do quadrinho (tem 20cm de altura), Donnie, um encanto de pessoa. Ela me fotografou ao lado do meu Vermeer e me mostrou o Vermeer dela, a mulher escrevendo uma carta. É a mais profunda conhecedora de Vermeer que já conheci. Também pudera, é a vida dela há 20 anos, o trabalho de Donnie é passar o dia todo vigiando essas telas e em geral, em dias como hoje, sem quase nenhuma visita. Se eu fosse pintor faria um retrato de Donnie como a moça do chapéu vermelho ou a mulher escrevendo uma carta.

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Sunday, June 17, 2007

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Sofri mais um ataque da Síndrome de Stendhal hoje diante desses dois quadros do Van Gogh numa exposição maravilhosa na Neue Gallerie, Van Gogh e os Expressionistas Alemães. A pintura do quarto é uma das três versões que ele pintou e a mais deslumbrante. O verde do chão e da janela é transcendental. Está em Chicago e veio para a mostra. A do ceifador veio de Amsterdã. Eu estava embasbacado olhando o ceifador quando uma moça parou e começou a tremer e chorar diante do quadro. A síndrome ataca!