Wednesday, June 15, 2005

Fumaça

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Ele se aborrece por pouco. O motorista que avançou só para tentar atropelá-lo. A passageira do metrô que pisou no pé dele, de propósito. O chefe está de cara feia de novo, com certeza decidiu demiti-lo, afinal o vem perseguindo há tanto tempo, o pobre-coitado. Inveja. Porque afinal ele é um gênio, um talento enorme, incompreendido e ignorado. Mas esse mundo do jeito que está, é melhor mesmo não ser ninguém. Olha só as tais celebridades, que idiotas. Ele tem a cabeça cheia de idéias. Histórias... Deslumbrantes, que nem aquela do... Droga! Foi ou não foi por querer que esse garoto esbarrou nele? O que é que está olhando? Que gentinha. Melhor fugir pro seu mundo, tão cheio de poesia, música, arte.
Nossa, como o dia passou depressa, e ele ainda não terminou o relatório que o chefe pediu. Vai humilhá-lo, espera só, vai escrever um texto tão brilhante, tão arrasador, que o f.d.p... Não, o medíocre não merece tanto. Pérolas para porcos. Ahn? Sim senhor, já estou indo, claro, o senhor é quem manda...
Ai, como ele sofre, tanta humilhação. Mas um dia... Ele olha a fumaça do cigarro que sobe atravessada pelo sol da tarde e vê figuras coloridas, visões da glória que está ao alcance da mão. Amanhã.

1 comment:

Danilo Motta said...

Belo Texto! Poético, realista, belíssimo! É de sua própria autoria? Parabéns, assim mesmo!